Apresentando, Fabio Sakuda
10/04/2011 às 01:02:59Yo!
Tô vindo aqui pra falar mais de mim.
Meu nome é Fabio Sakuda, e alguns podem ter visto meu nome por ai, muitas vezes relacionado a mangá e quadrinhos no geral. É uma coisa que eu gosto muito, como leitor, como autor e de qualquer outra forma possível.
Fui redator para a Desenhe e Publique Mangá (onde muitos aspirantes a mangakás devem ter lido meu texto sobre publicar na Shonen Jump, que me rende e-mails até hoje), para a Anime Kids e para a Neo Tokyo, hoje eu traduzo alguns mangás para a Newpop e produzo histórias próprias. Tenho meu blog pessoal também.
Meu elo com o mangá começou cedo. Sou de uma família japonesa, minha mãe foi arte-finalista da Páginas Amarelas, numa época em que era tudo feito à mão, portanto, cresci com material profissional de arte em casa e uma mãe que incentivava a gente a desenhar e ler quadrinhos, que ela mesma lia muito quando morava no Japão.
Assisti desde que me entendo por gente os animes via fitas de video da colônia japonesa, assisti Dragon Ball, Dr Slump, Sailor Moon, principalmente Doraemon, em geral sempre coisas pra criança, mas na época eu gostava mais de tokusatsu, gostava de brincar de herói.
Minha formação com quadrinhos começou com Mônica, que meu pai assinava pra que eu e meus irmãos (somos quatro, dois homens e duas mulheres) tivessem algo que nos deixasse quietos e ensinasse alguma coisa. Praticamente aprendi a ler com isso e tirinhas de jornal. Mas antes mesmo disso, adorava a coleção de Shonen Jump e Shonen Magazine que meu tio tinha. Ele fazia um esquema com amigos pra comprar importado e rodavam as revistas e no final, meu tio ficava com elas. Tenho uma foto minha no colo da minha mãe com uma Shonen Jump nas mãos.
Uma ida ao dentista iria mudar minha vida. Foi quando eu ganhei uma edição de Marvel Especial, Homem Aranha x Duende Verde, que me fez começar a curtir heróis americanos. Mais pra frente, eu ganharia a X-Men #30, da Editora Abril, e viciei ao ponto de saber de cor as falas dos balões, de tanto que lia e relia.
Eu era um garoto tímido demais, e descobri nos quadrinhos um mundo que me incentivava a tomar a iniciativa, de heróis que lutavam por algo nobre. E era algo que me animava, me deixava menos entediado.
Isso tudo foi antes dos 12, que foi quando eu comecei a fazer fanzines com amigos do colégio, antes de saber o que era fanzine. Aos 15, no colegial, finalmente imprimimos nossos fanzines e começamos a vender por ai.
No começo da internet no Brasil, eu já participava de tudo que pudesse de quadrinhos. Lá na rede velha, eu conheci o Lancaster. Eu ainda era um moleque que era muito elogiado pelos amigos e professores, mas que precisava aprender pra caramba. Nessa época, eu lia tudo de quadrinhos que saia no Brasil, comprava quadrinhos americanos importados e ainda comprava tankohons japoneses, que nessa altura, já conseguia ler depois de alguns anos de aula de japonês. E não, meus pais já não bancavam meu hobbie. Trabalho desde os 13 anos e banco minhas HQs, roupas, cinema, tudo desde então. Não venho de uma família pobre, mas éramos sete em casa, com minha avó, eu entendia que não podia ter meus hobbies às custas dos meus pais.
Aos dezoito, contrariando professores, pais, chefe e todo mundo, desisti de vestibular e fui pro Japão. Eu tinha boas notas, poderia ir pra faculdade, mas eu sempre quis algo diferente. Queria trabalhar com quadrinhos.
Meus planos mudaram muito. Eu queria primeiro montar um estúdio com meus amigos de fanzine, juntando grana no Japão. Depois, quando percebi que eles tinham desistido dos quadrinhos, parti pra carreira solo. Pensei finalmente em tentar entrar pra Shonen Jump.
Quebrei a cara e percebi o quanto era prepotente. Desisti por algum tempo, mas acabei voltando. É o que eu gosto de fazer. Decidi que se eu não era o gênio que achava que era, eu iria compensar isso estudando. Li, estudei, viajei, vivi. Sai do meu casulo seguro, pra aprender na marra a fazer mangá. E levei oito anos pra me sentir seguro disso.
Hoje, desisti do desenho por que sei que tem gente mais talentosa que eu desenhando. Em compensação, estudo roteiro sempre, narrativa, direção, fotografia, pra ser um escritor e produtor de quadrinhos.
E é por isso que hoje, eu e o Lancaster editamos a revista juntos, produzimos ela. Vemos os pontos que podem melhorar, como a arte, o roteiro, a narrativa, direção de tudo pode melhorar. Tudo pra fazer uma revista que traga aquilo que nós sempre sonhamos, que é fazer dos quadrinhos um mercado viável pro Brasil, lucrativo e criativo, exportador de produtos exclusivos, de matérial intelectual.
Hoje, eu sempre penso em quando eu era criança. O quanto aquelas histórias me inspiravam e o quanto isso me salvou de ser um garoto fechado. Os quadrinhos me deram um rumo na vida, e um sonho que eu ainda persigo. E agora, eu quero agradecer isso, passando a tocha. Fazendo quadrinhos que irão ajudar novos garotos, que vão inspirar eles, e dar novos sonhos, pra serem o que quiserem ser da vida. E serem felizes por isso.
Minha vida é um mangá shonen!
Rapsódia é uma história do Carlos, que ele criou jogando RPG. Mas quando eu entrei roteirizando a história, defini uma linha pra história, que era muito pertinente ao cenário.
Em Rapsódia, Reegam é de uma das menores raças do mundo, e conhecida por não ser muito boa em guerrear. Ele no entanto, persegue seu sonho de criança, de se tornar um herói, como nas histórias que ouvia de bardos. Ele não ganha poderes. Faz por merecer o nome, treinando, pensando e assim, derrotando gigantes somente com seus punhos, sempre salvando as pessoas das mazelas.
Reegam é o jovem desenhista no Brasil. Que não nasceu em uma casta que pode trabalhar com quadrinhos, onde é loucura ele querer fazer isso pra viver. E ainda mais enfrentando gigantes. Mas ele vai e enfrenta. E vai derrotar. Reegam é um paralelo de um outro tipo de herói dos quadrinhos. Ele é o heroi das páginas que vai representar e inspirar os heróis daqui de fora. Vencendo, perdendo às vezes. Mas lutando. E lutando mais ainda quando for derrotado. Rapsódia é a narração de uma grande história de heróis, que vão de encontro ao desconhecido, com a coragem no coração e a vontade de mudar o mundo. E nós queremos que ela seja pra você a inspiração pra poder enfrentar a sua vida de peito aberto, levantando sempre que cair. E se você não é um gênio, você ainda pode treinar mais do que todo mundo.
Os grandes heróis lutam por um final feliz. Vamos lutar pelo nosso!

Curiosidade: Alguns perguntam porque assino como 

